A Pedra ( Crônica )


A Pedra

De: José Paulino Ferreira Filho
( Zepaulino)


É assim mesmo, a Pedra com P maiúsculo porque não se trata de uma pedra comum, mas de uma pedra que vive comigo, assim, na minha memória,  por dezenas de anos. O momento, aquela fração de segundo, em que a Pedra me olhou, digo que ela me olhou porque naquele instante, tive a certeza de que aquela Pedra estava comigo. Não consigo uma explicação lógica, racional, para explicar essa atração.

 Não consigo esquecê-la. A viagem de ônibus transcorria tranquila e, como sempre, olhava a paisagem pela janela. De repente, numa curva descendente à esquerda, vi a Pedra ou, será que ela me viu? Até hoje não sei explicar a atração. Sei apenas que não consigo esquecê-la.

 Dias passam e, de vez em quando, lá está a imagem dela na minha memória, memória fotográfica porque revejo a curva, o barranco, o acostamento e, repousando nele, ela. Que saudade da Pedra! Às vezes penso em ir atrás dela. Será que ela ainda está naquela região? Naquele mesmo lugar não acredito, pois tudo move, por si ou por outrem. É pena que pedra não fale, se falasse, ela poderia comunicar seu endereço e eu poderia ir vê-la para matar a saudade. Que saudade daquela Pedra!


José Paulino Ferreira Filho



Nota:

Esse ai é o meu maridão! E aqui nesta casa parece que todos são apaixonados pela escrita e volta e meia alguém me surpreende com algo especial; Ontem Paulino me mostrou essa crônica que ele escreveu eu fiquei deslumbrada! Achei belíssima!

 A Pedra! Nossa, tem algo de muito especial e muito forte nessa escrita! Incrível, pensei muito sobre essa Pedra do Paulino, por muito tempo antes de dormir. Acordei pensando na Pedra e de repente até me vi com ciúmes da pedra. E me perguntava, porque essa tal pedra foi olhar assim para o meu marido? Que pedra metida! Doideira, eu com ciúmes da Pedra. Mas, brincadeiras à parte, o fato é que eu achei a Pedra uma excelente crônica e na verdade, acho que essa tal Pedra também me conquistou. Pode crer, eu fico toda hora tentando imaginar como será que era ou é essa tal Pedra?
Bom! Coloquei a Pedra aqui, como uma maneira de dizer ao maridão que amei a escrita dele e achei legal compartilhar com vocês amigos e seguidores.

Um beijo no coração de cada um! 

E cuidado para não se encantarem com a Pedra ou ela se encantar com vocês! Viu?


Haydée Ferreira

OBS;

Foto do "Zépaulino" em Lisboa - no Castelo de São Jorge em 2010




Comentários

  1. Quando achava que já conhecia a família Ferreira, vem o Sr. Paulino e me mostra que sempre podemos ser surpreendidos por aqueles que julgamos conhecer bem! Confesso que já havia lido textos escritos pelo Sr. Paulino, porém textos técnicos, como cartas comerciais, contratos, etc, nada perto dessa inspirada crônica! Ontem mesmo postei no facebook uma frase de Goethe, que bem cabe ao caso: "É no silêncio que se educa o talento e na torrente do mundo o caráter." Prova de que Goethe estava certo: a quietude do Sr. Paulino escondia, ou, quem sabe, moldava mais essa aptidão que finalmente veio à tona! Parabéns! (E ainda bem que no meio do caminho tinha uma pedra... rs!)

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  2. Achei muito legal!
    E a crônica me fez "viajar" no significado que essa pedra trouxe. Acredito que a pedra seja o simbologia das coisas marcantes que deixamos pra traz e nos entorpece de saudades muitas vezes sem sabermos o porque. Mas o que mais gostei foi da descoberta de mais um escritor que existe na mesma casa! Parabéns!

    Guaracyara Wallois.

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  3. Olha aí, nem eu sabia que meu pai era cronista!
    Nunca tinha parado para pensar sobre isso, mas por vezes também me encontro às voltas com uma memória daquilo que parece não fazer sentido. Mas não é a pedra, e sim o que a pedra nos faz lembrar, sentir.
    Isso me faz lembrar de outra pedra, uma que tínhamos no quintal.. Saudades daquela pedra...

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  4. Diego, eu também lembro muito daquela pedra do quintal e ela me faz lembrar seu avô Zé Paulino, ele adorar enquanto estava entre nós, de sentar naquela pedra e fica pensando. Ai, que saudade daquela pedra e do Sr. Zé!

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  5. Sua pedra de lembranças me fez lembrar da pedra de Drummond, a pedra das mudanças, que altera o rumo dos acontecimentos.
    Belo texto.

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  6. Paulino e Haydée,

    Muito interessante essa crônica. Como o Diego disse nos faz lembrar de várias "pedras" da vida, que não necessariamente tem que ser pedra. A colocação do Paulino foi muito feliz. Parabéns e continue escrevendo.

    Abraços do primo

    Jr

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